Etiqueta na Natureza: o que deves (e não deves) fazer num trilho
Este artigo serve para mostrar por que é importante respeitar certas regras durante as caminhadas e como podes praticá-las no dia a dia, para que o turismo de natureza seja, de facto, sustentável.
Estas são as regras que acreditamos serem fundamentais. Praticá-las faz de ti um verdadeiro caminheiro:
1 – Leva memórias, deixa apenas pegadas. Esta é a regra cardinal. Fotografias, memórias, amizade, ar puro — leva o máximo que puderes. O lixo ou objetos que foram contigo devem regressar contigo ao ponto de partida.
2 – Necessidades fora do trilho. Compreendemos que, por vezes, a “natureza chama” e temos de “atender a chamada”. Mas faz isto num local afastado do caminho, preferencialmente fora da visibilidade de outros (para que não sejas apanhado com “as calças na mão”) e longe de cursos de água. Evita deixar vestígios de papel (leva contigo sacos para o lixo) e nunca deixes toalhitas não biodegradáveis no chão — algumas demoram uma eternidade para se decompor e prejudicam a fauna/flora. Infelizmente, cada vez mais vemos os vestígios de quem fez as suas necessidades no meio do trilho.
E se forem resíduos sólidos, cobre-os com terra ou detritos autóctones. Mas nunca em cima do trilho ou fontes de água.
3 – Não deixar restos de comida. As cascas ou restos de comida atraem os animais, alteram o ecossistema e o comportamento da fauna. Leva tudo contigo.
4 – Não levar elementos naturais como “souvenirs”. Nem uma flor, nem uma pedrinha. Se cada pessoa levasse algo, os locais seriam destruídos. A natureza é bela assim e certifica-te de que quem vem a seguir vai ver as mesmas paisagens que tu.
5 – Respeitar (e não alterar) as mariolas. Em muitos trilhos portugueses, a sinalética é feita por mariolas (montes de pedras, empilhadas umas sobre as outras, que são utilizadas por pastores e trekkers para saber a direção correta, podes ver um exemplo, na foto ao lado). Ao adicionar pedras ou criar novas marcas, podes desorientar outros e causar acidentes. Já presenciámos trilhos onde havia dezenas de mariolas adicionadas por turistas incautos, que pensavam que estavam a participar numa “trend”. Alguém que não conhece bem o caminho e necessita das mariolas pode perder-se e causar uma tragédia.
6 – Respeita o trilho marcado. Não cries mais caminhos do que aqueles que estão feitos. Trilhos paralelos provocam a erosão do solo e a destruição de espécies.
7 – Ter cuidado quando caminhamos com os nossos amigos de quatro patas. Da mesma forma que os humanos têm de se portar bem e deixar o trilho limpo, os nossos companheiros têm de fazer o mesmo. Um cuidado extra para a fauta autóctone que pode magoar os animais de estimação se estes se aproximarem demasiado, como cobras (temos duas espécies venenosas, em Portugal), o lobo ibérico, o gado bovino, o equino, entre outros. Ou os nossos companheiros poderem magoar ou interferir no modo de vida da fauna local.
É nosso dever, enquanto animadores turísticos e amantes da natureza, chamar a atenção para estas práticas. Não é um discurso moralista, mas uma chamada ao bom senso, para que os trilhos permaneçam limpos, belos e seguros para quem vem depois de ti.
Vamos evitar ter mais cenários como o da primeira foto. Esta foi tirada por nós, nas Serras do Porto, numa caminhada exploratória, no dia 30 de maio de 2025. Todo o lixo dentro deste saco não é de nenhum elemento do grupo, foi encontrado no trilho. Se tivéssemos levado mais sacos, mais lixo teríamos trazido. Todo o lixo foi separado e colocado no local recomendado.
Caminha com consciência. Um verdadeiro caminheiro deixa apenas pegadas.
Ajuda a manter os trilhos limpos e seguros para as gerações futuras.


